Alvo da Lama Asfáltica, Sanches Tripoloni é ligada a senadora Gleisi Hoffmann

11/05/2016 12h49 - Atualizado em 11/05/2016 12h49

Alvo da Lama Asfáltica, Sanches Tripoloni é ligada a senadora Gleisi Hoffmann do PT

Por Fábio Campana
 
Gleisi no canteiro de obras da empreiteira Sanches Tripoloni Gleisi no canteiro de obras da empreiteira Sanches Tripoloni

A Polícia Federal cumpriu ontem (10), um mandado de busca e apreensão no escritório da empreiteira Sanches Tripoloni, em Maringá. A partir da autorização da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul, os policiais federais procuraram documentos referentes a execução de obras viárias, principalmente a BR-359, que apresentaria indícios de irregularidades. Com informações d’O Diário de Maringá.

“Pedimos a busca e a apreensão de documentos porque a empresa está sob suspeita. Há indícios, mas ainda não temos condições de afirmar se os indícios correspondem ou não a prática de irregularidades”, afirmou o delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal do Mato Grosso do Sul, Cléo Mazzotti.

A Sanches Tripoloni é uma das principais financiadora da senadora Gleisi Hoffmann (PT). Em 2010 e 2014, a construtora e seus três diretores repassaram R$ 2,4 milhões nas duas campanhas da petista: R$ 510 mil em 2010 e R$ 1,9 milhão em 2014. A empreiteira foi responsável pela construção do Contorno Norte, em Maringá – obra suspeita de superfaturamento e investigada pelo TCU – e que custou R$ 412 milhões. Gleisi e seu marido, Paulo Bernardo, foram secretários de estado no governo Zeca do PT em MS. Ambos são acusados ainda de usar o jatinho da empreiteira na campanha de 2010.

O delegado coordenou a Operação “Fazendas de Lama”, considerada a 2ª fase da Operação “Lama Asfáltica”, deflagrada em julho do ano passado, quando foi constatada a existência de um grupo responsável pelo desvio de recursos públicos a partir de superfaturamento de obras contratadas pela administração pública, corrupção de servidores públicos e fraudes a licitações.

Mazzotti citou que a empreiteira de Maringá é investigada por conta do contrato de execução da BR-359. A Sanches Tripoloni assinou o contrato para a construção de um trecho de 41,6 km da rodovia, em março de 2010, por R$ 58,3 milhões. Em nome do governo do Mato Grosso do Sul, quem assinou o contrato foi o então secretário de Obras, Edson Giroto, preso ontem juntamente com a esposa, Rachel Portela Giroto.

Giroto, que também chegou a ser preso na primeira fase da Operação “Lama Asfáltica”, é ex-deputado federal. Ele foi eleito em 2010 pelo PR, partido que recebeu uma doação de R$ 2,5 milhões para a campanha daquele ano da Sanches Tripoloni. Em 2015, quando foi deflagrada a primeira fase da “Lama Asfáltica”, Giroto era assessor especial do Ministério dos Transportes.

Procurado, o advogado da Sanches Tripoloni, Jamil Josepetti, informou desconhecer o processo. Ele explicou que viajaria até o Mato Grosso do Sul para ter acesso aos autos e, só então, poderia dar qualquer informação em nome da empresa. “Preciso tomar vista do processo para saber qual é a implicação da empresa e, depois, poderemos dar alguma informação”, afirmou o advogado.

Além da Polícia Federal, a Receita Federal do Brasil e a Controladoria Geral da União participaram da operação. No total, 15 pessoas tiveram a prisão temporária decretada. Também foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 24 mandados de sequestro dos bens dos investigados.

Foram cumpridas medidas nas cidades de Campo Grande e Rio Negro, no Mato Grosso do Sul, em Curitiba e Maringá, no Paraná,e Presidente Prudente e Tanabi, no estado de São Paulo .

Em Campo Grande, um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na casa do ex-governador do Estado, André Puccinelli (PMDB). Também foram apreendidos documentos na Secretaria de Infraestrutura e na Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), agência responsável pelos contratos com o governo federal para a execução de obras rodoviárias no estado.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, há um total de R$ 2 bilhões em contratos sob suspeita. “Não são recursos necessariamente desviados, porque obras foram feitas. Mas em cima de R$ 195 milhões, que foram objeto de análise da Controladoria Geral da União, R$ 44 milhões foram desviados. É um processo longo, porque é preciso fazer a perícia, a análise documental e contábil e se obra foi realizada com material correto.” O nome “Fazendas de Lama” é referência a compras de terras com dinheiro desviado dos contratos. O principal crime investigado é de lavagem de dinheiro.

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