01/06/2017 16h10 - Atualizado em 01/06/2017 16h10

Doleiro de Cunha pagou R$ 1 milhão em propina para Grupo de André Puccinelli, diz delator

Da Redação
 

A delação premiada de um dos donos da JBS sobre a planilha mantida em relação ao doleiro Lúcio Funaro, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha mostra num vídeo, Joesley conta que Funaro antecipou R$ 1 milhão a André Cance, ex-Secretário Adjunto de Fazenda de Puccinelli e que faz parte do Grupo criminoso comandado por André Puccinelli do PMDB.

De acordo com as investigações da Lama Asfáltica e Lava Jato, a Eldorado e a JBS teriam pago ao todo, em 2014, cerca de R$ 10 milhões em propina ao grupo criminoso comando por André Puccinelli, formado por servidores públicos do governo do Mato Grosso do Sul, que concedia, em troca, isenções fiscais às empresas. A Eldorado e a JBS estariam envolvidas em um esquema de corrupção que reunia empreiteiras e duas empresas locatárias de máquinas de obra rodoviária, de acordo com o delegado Mazzoti.

Doleiro de Cunha lucrou R$ 33 MILHÕES com Eldorado em Três Lagoas

A Eldorado Celulose, empresa do grupo J&F, que também é dono da JBS, pagou cerca de R$ 33 milhões em contratos de consultoria na área de energia para empresas ligadas a Lúcio Bolonha Funaro, que é apontado como operador do deputado Eduardo Cunha. O Estado teve acesso a detalhes dos pagamentos. Eles foram feitos em parcelas mensais, ao longo do ano de 2013, para três empresas: Serra da Carioca Comercializadora de Energia, Araguaia Comercializadora de Energia e Viscaya Holding. O primeiro pagamento ocorreu em dezembro de 2012.

Funaro foi acusado pelo ex-vice presidente da Caixa, Fábio Cleto, de ter montado um esquema para pagamentos de propinas para liberação de empréstimos do FI-FGTS, o fundo que usa recursos do FGTS para investir em projetos de infraestrutura. O esquema teria envolvimento do próprio Cunha. Entre as empresas citadas por Cleto, que teriam participado do esquema, está a Eldorado, que recebeu, em dezembro de 2012, R$ 940 milhões do FI-FGTS. Nessa mesma época, começaram os pagamentos de consultoria para Funaro, que nega as acusações feitas por Cleto.

No dia 1.º de julho de 2016, além da prisão de Funaro e das apreensões na Eldorado, a casa de Joesley Batista, presidente do conselho de administração da JBS e diretor-presidente da J&F, também foi alvo de buscas. Em nota enviada ao Estado há cerca de duas semanas, para uma outra reportagem, a J&F confirmou que Funaro havia prestado três serviços a empresas do grupo: consultoria no processo de solução de impasse societário com a família Bertin; comissionamento pela intermediação da venda do grupo Big Frango à JBS; e a compra de gado de empresas de Funaro, nas mesmas condições comerciais dos demais fornecedores do grupo.

A lista não incluiu serviços à Eldorado, nem consultoria em energia. Consultorias nessa área, segundo especialistas do setor ouvidos pela reportagem, costumam ser mais baratas. "Um consultor top na área de energia receberia um décimo desse valor", disse um dos especialistas, que preferiu se manter no anonimato.

Das três empresas que receberam pagamentos da Eldorado, a Viscaya é conhecida no mercado e está registrada em nome de Funaro. As duas outras eram comercializadoras que estão em nome de Neiva Bolonha Funaro. Em tese, poderiam ter vendido energia para a Eldorado. Ocorre que nenhuma delas tinha autorização para operar na época.

O advogado de Funaro, Daniel Gerber, confirmou na época que o cliente recebeu, da Eldorado, os R$ 33 milhões, mas informou ser em uma operação societária. "A consultoria foi no sentido de harmonizar os interesses de duas partes que estavam vinculadas a uma relação comercial de, aproximadamente, R$ 40 bilhões", disse, por e-mail.

E defendeu o valor pago a Funaro: "Por tal motivo, e pelo sucesso em tal atividade, os valores recebidos – vale destacar que as empresas em conflito, quando estruturaram o negócio no qual Lúcio foi intervir, haviam gasto R$ 400 milhões, aproximadamente, em consultoria de bancos estrangeiros. Desta maneira, a parcela de Lúcio por evitar um desastre entre as partes é absolutamente adequada ao volume financeiro da operação".

Agora entenderam o porque do Deputado Federal e Presidente da Comissão da Previdência, Carlos Marun defender tanto com unhas e dentes o ex-Presidente da Câmara Eduardo Cunha, André Puccinelli e Michel Temer?. acompanhe

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