Em grampo da PF, doleiro trata substituto de Cunha como 'chefe' e cita Bernal

06/05/2016 10h27 - Atualizado em 06/05/2016 10h27

Em grampo da PF, doleiro trata substituto de Cunha como 'chefe' e cita Bernal

Fabiano Inove
 

Brasília - Apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema criminoso, o doleiro Fayed Treboulsi, sócio de Alberto Youssef e Carlos Habib trata o deputado federal Waldir Maranhão (PP-MA) que substituiu Eduardo Cunha na presidência da câmara como "chefe" e cita Alcides Bernal, prefeito de Campo Grande.

No diálogo interceptado na Operação Miqueias, em 21 de novembro de 2012, o deputado orienta **Fayed, a quem chama de "meu irmão", a procurar o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, também do PP, para que tenham um "conversa social". **

"Deixa eu lhe dizer, amanhã quem vai estar aqui é o Bernal, lá de Campo Grande. Já teve com ele, né?..Se você tiver um tempinho, à noite, eu acho que vale a pena convidá-lo para ter uma conversa social, tá?...Eu vou te passar logo o telefone dele porque um convite seu é diferente, viu?".

Tanto Maranhão, quanto Alcides Bernal são lideranças nacionais do Partido Progressista e que ficaram na base de sustentação do governo Dilma Roussef. O partido é apontado pelo Procurador da República Janot em chefiar o esquema de corrupção na Petrobras juntamente com o Partido dos Trabalhadores (PT), e também responsável em desviar R$ 358 mi dos cofres da Petrobrás

Operação Miqueias que investiga Bernal e prefeito de Ponta Porã desencadeou Lava Jato

A operação descobriu uma quadrilha que direcionava recursos de fundos de pensão estadual e municipal para investimentos desvantajosos. Mais de trezentos policiais cumpriram 102 mandados judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 22 de prisão temporária e 75 de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.

Nessa investigação, foram verificadas irregularidades especificamente nos regimes próprios de Previdência Social das seguintes prefeituras: Manaus/AM, Queimados/RJ, Formosa/GO, Caldas Novas/GO, Cristalina/GO, Águas Lindas/GO, Itaberaí/GO, Pires do Rio/GO, Montividiu/GO, Jaru/RO, Barreirinhas/MA, Bom Jesus da Selva/MA, Santa Luzia/MA, Ponta Porã/MS, Porto Murtinho/MS. As 5 ultimas cidades comandadas por Waldir Maranhão, pelo prefeito Ludimar Novais (PDT) e pelo prefeito Heitor Miranda, irmão e tio de dois investigados da Lava Jato (Zeca do PT e Vander Loubet) todos aliados do PT, Lula e da presidente Dilma Roussef de primeira hora.

Operação Miquéias da PF combate fraudes em fundos de pensão municipal

Já sobre a participação do prefeito Alcides Bernal, a Policia Federal disse o seguinte:

Na investigação da Lava Jato, Maranhão foi citado por Alberto Youssef como um dos deputados do PP beneficiados por propinas de contratos da Petrobras. O doleiro disse que o atual presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), recebeu dinheiro oriundo de propinas pagas por empresas contratadas pela Petrobras.

“Não dá para dizer que esse dinheiro vinha do contrato A ou B. Era um somatório dos contratos”, disse. O pagamento a Maranhão teria sido feito diretamente por ele, dentro […]

O pagamento a Maranhão teria sido feito diretamente por ele, dentro do esquema de pagamento a deputados do PP, coordenado pelos líderes do partido na Câmara. A informação foi uma resposta a pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA), que queria saber quais políticos receberam propina por contratos feitos pela Petrobras para construir as usinas Premium 1 e 2.

Já segundo o Jornal O Globo desta sexta-feira (6), sobre o inquérito da Operação Lava-Jato que investiga o crime de formação de quadrilha, no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu provas da suposta participação do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), no esquema de desvios de recursos da Petrobras. A Polícia Federal (PF) constatou que Maranhão esteve num dos escritórios utilizados pelo doleiro Alberto Youssef em São Paulo. O registro de acesso traz nome, número do documento apresentado e fotografia do parlamentar, além do nome da pessoa visitada: “Carlos Alberto Youssef/Primo”.

Acompanhe na íntegra

Exclusivo: Bernal é investigado pela Lava Jato em esquema de doleiro

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