Lava-Jato: Grampo revela esquema entre SEFAZ e Petrobras no Governo Puccinelli

27/03/2016 10h55 - Atualizado em 27/03/2016 10h55

Lava-Jato: Grampo revela esquema entre SEFAZ e Petrobras no Governo Puccinelli

Fabiano Inove
 

Trechos de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que integram as investigações da Policia Federal na Operação Lama Asfáltica, flagraram uma conversa entre o ex-presidente do PT Marcos Garcia, atualmente braço-direito do Senador Delcídio do Amaral, preso na Operação Lava-Jato e "homem-bomba da República", e o ex-Secretário-Adjunto da Secretaria de Fazenda André Cance no Governo Puccinelli.

Num trecho, a conversa é entre o ex-Governador André Puccinelli e André Cance. Cance dá a boa noticia sobre o esquema dos créditos do ICMS entre a Petrobras e a SEFAZ, esquema este, oriundo do Governo Zeca do PT, e que deu continuidade no Governo André Puccinelli. Lava-Jato investiga R$ 62 milhões pagos ao Governo Zeca do PT pela Petrobras.

No primeiro trecho da conversa, fica acertado um encontro entre o Secretário-Adjunto da Fazenda André Cance, o assessor do Senador (Marcos Garcia) e o próprio Senador (Delcídio).

Cance: Fala Marquinhos..

Marcos Garcia: Na segunda dá pra gente tomar um Whiski entre 18 as 19 hs, "eu", o Junior e o Senador (Delcídio)?

Cance: Claro..

Marcos Garcia: Pode ser na tua casa?

Cance: Combinado...

Marcos Garcia: Então tá fechado...vamos deixar marcado as 18 hs...

Os investigadores da Força-Tarefa da Lava-Jato que estão empenhados neste caso, por envolver a Petrobras desconfiam que no primeiro trecho da gravação, no qual resultou no encontro entre o ex-Secretário de Fazenda André Cance, o assessor do Senador (Marcos Garcia) e o próprio Senador (Delcídio) existia alguma "tratativa" entre a quadrilha comandada por André Luiz Cance e a de Delcídio do Amaral. Na transcrição dá a entender que estava tendo algum tipo de "acerto" que envolveria o crédito entre a Petrobras e SEFAZ. O código "Whisky" quer dizer propina, para os investigadores."

Em 2002 quando o Governo do MS foi denunciado pelo MPF, o atual Prefeito de Corumbá Paulo Duarte (PT) na época Secretário de Governo do PT disse o seguinte sobre como era feita a escolha dos beneficiados, Duarte disse que a Agesul (Agência de Empreendimentos de MS) "validava se a empresa tinha direito aos créditos".

Na época, a Agesul **era subordinada à Secretaria de Infra-estrutura, comandada por Vander Loubet até outubro de 2001 e pelo então senador Delcídio do Amaral (PT) até abril de 2002. Tanto Vander, quanto Delcídio são réus na Lava-Jato. Delcídio é considerado na atualidade como o "homem bomba" da República.

Já no segundo, trecho André Puccinelli é flagrado em escuta telefônica com o Secretário-Adjunto da Fazenda André Cance.

Cance: Alô

Puccinelli: Fala Xará

Cance: Só para dar uma boa noticia procê. Olha só para dizer uma coisa deu certo a Petrobras.

Puccinelli: Aleluia!! Aleluia!! Você esta no Rio Janeiro, em Brasília ou em Campo Grande?

Cance: Chegando em Campo Grande.

Puccinelli: Só com documentos!

Acompanhe os áudio que aconteceu na época de forma

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