17/05/2017 09h35 - Atualizado em 17/05/2017 09h35

Mais 1 sul-mato-grossense é delatado na Lava Jato por Mônica Moura

Da Redação
 
Giovani Favieri ladeado pelo ex-vereador Alex do PT e do deputado federal Vander Loubet Giovani Favieri ladeado pelo ex-vereador Alex do PT e do deputado federal Vander Loubet

Depois de Delcídio do Amaral, Zeca do PT e Vander Loubet, agora é a vez da empresária Mônica Moura revelar, em delação premiada, ter recebido pelo menos R$ 200 mil ‘por fora’ do produtor de vídeos Giovane Favieri, responsável pela campanha do ex-prefeito cassado de Campinas, Dr. Hélio (PDT), em 2004.

Ele é réu em ação penal no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de ser receptor de empréstimo fraudulento contraído pelo pecuarista José Carlos Bumlai, junto ao Banco Schahin, naquele ano. Apesar de ser alvo de investigações, já acumula mais de R$ 23 milhões em contratos com a Assembleia Legislativa de São Paulo, desde 2009, e é dono da empresa que recebeu a maior quantia das despesas da campanha do petista Fernando Haddad em 2016.

Segundo a marqueteira, seu marido João Santana foi convidado a ajudar na campanha de Dr. Helio, em 2004, à prefeitura de Campinas pela mulher do candidato, quando a disputa eleitoral já estava aberta e o então representante do PDT enfrentava dificuldades.

"Passou um tempo e a campanha começou a despencar. E ela [Rosely, esposa do candidato] continuava ligando pedindo ajuda. No meio disso, esses marqueteiros [Giovane Favieri e Armando Peralta] chamaram João para ajudar. Eles disseram: ‘Você não assume, porque sei que não tem tempo, mas faz algumas coisas, alguns vídeos’. Acertamos com esse pessoal" relatou.

De acordo com a delatora, inicialmente, todos os valores seriam pagos por meio de contrato com os publicitários. No entanto, aproximadamente R$ 200 mil acabaram sendo viabilizados em dinheiro em espécie. "A campanha cresceu. Na época, recebemos dos próprios marqueteiros. Teve uma parte por fora. Eu não lembro valores, mas cobramos 800 mil reais".

Dr. Helio foi eleito em Campinas. Em outro mandato, em 2011, acabou sendo cassado pela Câmara Municipal, em razão escândalo de corrupção envolvendo fraudes em licitações na Sanasa, empresa de esgoto municipal. No ano passado, segundo parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, os vereadores mantiveram a cassação dos direitos políticos de Dr. Helio até 2024.

Já Favieri, marqueteiro de campanha de Dr. Helio em 2004, continuou responsável por corridas eleitorais e contratos milionários com o Legislativo Paulista, mesmo após denunciado pela Operação Lava Jato. Em 2016, ele foi o maior receptor das despesas eleitorais – cadastradas no TSE – da candidatura de Fernando Haddad, por meio da empresa F5BI, que recebeu R$ 3,5 milhões – equivalente a 22% dos gastos do petista.

No mesmo ano, por meio de outra empresa, a Rentalcine, Favieri obteve mais um aditamento com a Assembleia Legislativa – onde tem contratos desde 2009 – por R$ 4,2 milhões para serviços prestados à TV Alesp. Uma das licitações das quais a Rentalcine participou na Casa chegou a ser alvo de inquérito no Ministério Público Estadual de São Paulo. Até hoje, segundo dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Rentalcine recebeu, somente entre 2011 e 2017, R$ 23 milhões da Assembleia Legislativa.

O produtor é réu na Lava Jato no caso que envolve os empréstimos do Banco Schahin ao pecuarista José Carlos Bumlai, de R$ 12 milhões, quitados de forma fraudulenta. De acordo com a denúncia, o amigo de Lula contraiu os valores da instituição financeira e os repassou para empresas NDEC e OMNY PAR, de Favieri e Armando Peralta.

"A operação tinha por objetivo ocultar e dissimular o pagamento de serviços prestados em campanha eleitoral, ao menos em parte não declarados, em benefício de Giovane Favieri e Armando Peralta, prestadores de serviços de publicidade da campanha eleitoral para a Prefeitura de Campinas do Partido Democrático Trabalhista, no interesse do Partido dos Trabalhadores", afirma o Ministério Público Federal, que sustenta ainda que o pagamento foi ordenado por Delúbio Soares, então tesoureiro do PT. O empréstimo foi concedido pelo Schahin pouco tempo depois de o grupo dono da instituição financeira assinar contrato de R$ 1,6 milhão com a Petrobrás. Em outra ação, devido ao mesmo empréstimo, no âmbito da Lava Jato, Bumlai foi condenado a 9 anos de prisão.

De MS

O PUBLICITÁRIO Giovane Favieri, antigo dono da produtora VBC, que atuou nos governos de Pedro Pedrossian, Wilson Barbosa Martins e Zeca do PT em Mato Grosso do Sul e já tinha sido citado no depoimento de delação premiada do pecuarista José Carlos Bumlai. Favieri ficou milionário a partir do governo de Zeca do PT a partir de 1999. Foi na Secretaria de Governo, chefiada por Loubet, que, em 1999, teria nascido o esquema. Por decisão judicial, foram quebrados seus sigilos bancário e fiscal.

A investigação dos procuradores da Lava Jato em Curitiba vai se concentrar agora em esclarecer a relação dos contratos de publicidade da Petrobras e governo federal com possíveis desvios de verbas públicas e as fraudes já constatadas em Mato Grosso do Sul e Campinas.

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