16/05/2017 08h12 - Atualizado em 16/05/2017 08h12

Milhões em propina da JBS abasteceram as campanhas de Marun, Trad e PMDB, dizem investigadores da Lama Asfáltica

Conforme investigações, planilhas apreendidas na casa de ex-secretário adjunto da Fazenda André Cance aponta que propinas eram mascaradas em forma de doações eleitorais

Fabiano Portilho
 

Planilhas encontradas pelos investigadores da Lama Asfáltica na casa de André Luiz Cance, ex-secretário adjunto da Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda).vinculam pagamentos de propina para a campanha eleitoral de 2014 para o PMDB.

O documento aponta pagamento de R$ 5 milhões feitos pela JBS. No material apreendido, uma das planilhas foi denominada "créditos utilizados com base no TA 862/2013-Friboi". Um termo de acordo, de mesma numeração, com a JBS S.A. foi publicado em 23 de agosto de 2013 no Diário Oficial do Estado.

Outra planilha informa débitos, créditos e saldos. De acordo com a CGU (Controladoria-Geral da União), houve registro de débito de R$ 5 milhões com histórico "doação" em 14 de julho de 2014

Numa rápida consulta no sistema de prestação de contas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que a JBS fez doação de R$ 5 milhões ao comitê financeiro do PMDB no Estado em 17 de julho de 2014.

É a primeira vez que os investigadores da Lama Asfáltica chegam nas propinas mascaradas em formas de doações. Segundo os Ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal indicaram no último dia (7/3) que doação declarada à Justiça Eleitoral pode ser considerada propina e configurar crimes, como os de corrupção e lavagem de dinheiro – uma das principais teses defendidas pelo Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba.

A sinalização ocorreu no recebimento de denúncia da Procuradoria Geral da República que transformou em réu o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que responderá pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Gilmar Mendes e Dias Toffoli só admitiram a acusação por corrupção contra o peemedebista.

Segundo Fachin, "os indícios assentam que o recebimento dos valores espúrios de forma dissimulada, por intermédio de doações eleitorais de R$ 200 mil e R$ 300 mil, repassado pelo partido depois para o parlamentar".

Dinheiro de propina repassado pelo JBS ao PMDB irrigou os seguintes candidatos em 2014

A empresa JBS Friboi, principal alvo da nova fase da Operação Lama Asfáltica,doou para 4 candidatos do PMDB e três coligados ao partido, são eles; Nelson Trad filho, que concorreu para governador recebeu R$ 3.260.000,00 - três milhões e duzentos e sessenta mil reais. Simone que concorreu pelo Senado e ganhou recebeu R$ 1.720.000,00 - um milhão setecentos e vinte mil reais. Pela ordem de valor mais alto estão Geraldo Resende (PMDB), recebeu R$ 300.000,00 – trezentos mil reais; Dagoberto Nogueira (PDT) recebeu R$ 170.000,00 - cento e setenta mil reais; 8 - Carlos Marun (PMDB), recebeu R$ 103.000,00 - cento e três mil reais, empatando com Tereza Cristina (PSB) – que também recebeu R$ 103.000,00 - cento e três mil reais; Luiz Henrique Mandetta (DEM) recebeu R$ 25.086,00 vinte e cinco mil e oitenta e seis reais.

Genro de Nelsinho e sobrinho de Cance

O que chama a atenção dos investigadores da Lama Asfáltica que o alvo principal da Operação, André Luiz Cance é tio de Rafhael Cance, genro de Nelson Trad Filho, irmão do atual prefeito de Campo Grande (MS) Marcos Trad (PSD) e de Antonieta Amorim, irmã de João Amorim, apontado pela Policia Federal como um dos lideres da organização criminosa. Na prestação de contas, Trad Filho foi o que mais recebeu a propina mascarada em forma de doação, R$ 3.260.000,00 - três milhões e duzentos e sessenta mil reais.

Rafhael foi alvo da 35ª fase da Operação Lava Jato por receber propina da Odebrecht, ele é filho de Aurélio Cance, da República de Campinas, alvo da delação da publicitária e esposa de João Santana, Monica Moura neste fim de semana. Acompanhe; Receptor de empréstimo de Bumlai pagou R$ 800 mil, revela Mônica

Investigação nas eleições de 2016

Os investigadores da Lama Asfáltica estão debruçados nas prestações de contas dos candidatos a prefeitos em MS, principalmente no que tange Campo Grande. Segundo investigação da Policia Federal tem desde caixa 2 à propina mascarada em forma de doações, as suspeitas recaem sobre a doação feita pela empresa PSG informática de Antonio Celso Cortez, suposto laranja de João Baird a campanha de Marquinhos Trad no pleito de 2016 no valor de R$ 750 mil reais.

Os investigadores suspeitam que mesmo com as Operações da Lama Asfáltica em andamento, a organização criminosa comandada por João Amorim, João Baird e André Puccinelli não se intimidaram e continuaram operando para eleger o atual prefeito de Campo Grande.

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