16/05/2017 15h51 - Atualizado em 16/05/2017 15h51

"Wework ou Ourprofit": Predadora ou motivadora?

Da Redação
 

Com belas frases de motivação e empreendedorismo, a startup americana WeWork é conhecida pelos seus escritórios compartilhados descolados, onde o café e as reuniões formais convivem com a geração dos millenials e a cerveja grátis, e por suas sucessivas captações de recursos a valuations cada vez mais altos.

Fundada em 2011, a empresa já lançou dezenas de escritórios ao redor do mundo e viu seu valor de mercado alcançar US$ 17 bilhões recentemente, um número que, de acordo com investidores, só é justificável se a companhia entregar um crescimento bastante agressivo. Espera-se que a empresa volte a captar recursos junto a esses investidores, já que seu fluxo de caixa permanece negativo.

Contudo, à medida que a empresa se expande rapidamente, algumas pessoas começam a questionar as práticas adotadas pela companhia para alcançar o crescimento prometido a investidores.

Recentemente, uma reportagem da agência de notícias Bloomberg mostrou que diversos funcionários estão bastante insatisfeitos com a empresa, acusando-a de força-los a cumprir longas jornadas, serem mal remunerados e não receberem horas extras. Os funcionários, que segundo a Bloomberg, falaram apenas com a condição de anonimato por medo de retaliação por parte da companhia, também alegam que a empresa é caótica e desorganizada.

No Brasil, a história não é diferente, participantes dos processos seletivos acusam a empresa de pratica de exageros, humilhações e de contratar funcionários de alto escalão em desacordo com a legislação trabalhista brasileira. Funcionários responsáveis pela obra das unidades da empresa também sofrem com a informalidade.

Outro exemplo do comportamento predatório da empresa em sua entrada no Brasil fica ilustrado pela contratação de uma equipe argentina para as obras de suas instalações. Não acreditaria a WeWork, que se mostra como embaixadora do empreendedorismo, na qualificação do profissional brasileiro?

De acordo com fontes que também falaram com a condição de anonimato, por medo de retaliação da companhia, a empresa também mostra descrédito ao empreendedor brasileiro ao substituir fornecedores nacionais por importações diretas feitas da china, visando reduzir custos com impostos e burlar empresas nacionais, detentoras de contratos de exclusividade de itens que a Wework utiliza em suas instalações.

Outras empresas vêm enfrentado desafios similares - Uber e Instacart (de entregas sob demanda), por exemplo, vêm sendo acusada de maus tratos e assédio por diversos funcionários e colaboradores não registrados (como motoristas e entregadores). É a esse grupo que a WeWork se junta, à medida que o discurso da companhia de amizade e companheirismo é comparado com as práticas adotadas pela empresa para entregar o crescimento prometido a seus investidores.

Vale a pergunta: será essa mais uma multinacional que vem para explorar mercado brasileiro, destruir players locais e sair do Brasil depois de alguns anos, deixando funcionários e clientes a ver navios j?

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