11/01/2017 10h28 - Atualizado em 11/01/2017 10h28

Representante da Odebrecht é interrogado na República Dominicana

Procurador-geral da República do país diz que depoimento de executivo 'não foi satisfatório'.

Sede da Odebrecht em São Paulo (Foto: Paulo Whitaker/Reuters) Sede da Odebrecht em São Paulo (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

As autoridades da República Dominicana interrogaram nesta terça-feira (10) o gerente-geral da Odebrecht no país, Marcelo Hofke, como parte da investigação para identificar funcionários beneficiados com os US$ 92 milhões em subornos pagos pelo grupo brasileiro entre 2001 e 2014 - segundo acordo de leniência assinado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Após seis horas de interrogatório, o procurador-geral da República, Jean Alain Rodríguez, declarou que o depoimento de Hofke "não foi satisfatório" sobre os subornos. Hofke estava no Brasil e viajou à República Dominicana especialmente para o interrogatório.

Rodríguez interrogará nesta quarta-feira (11) o empresário dominicano Ángel Rondón, representante comercial da Odebrecht no país, que foi identificado por Hofke como a "pessoa que recebeu os 92 milhões". Segundo as investigações, os subornos foram pagos durante os governos dos presidentes Hipólito Mejía, Leonel Fernández e Danilo Medina.

A Procuradoria-Geral da República Dominicana analisa contratos assinados com a Odebrecht pelo Ministério de Obras Públicas, o Instituto Nacional de Abastecimento de Água e Esgoto (Inapa) e a Corporação Dominicana de Empresas Elétricas Estatais (Cdeee).

O objetivo dessas investigações, "é identificar as pessoas que na República Dominicana poderiam estar envolvidas nessas supostas ilegalidades", segundo a Procuradoria-Geral.

Propina em 12 países

Em acordo de leniência firmado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, derivado das investigações da Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago em propina US$ 788 milhões entre 2001 e 2016 e a Braskem, US$ 250 milhões entre 2006 e 2014, a funcionários do governo, representantes desses funcionários e partidos políticos do Brasil e de outros 11 países. Para o órgão dos Estados Unidos, é o "maior caso de suborno internacional na história".

A construtora brasileira pagou propina para garantir contratos em mais de 100 projetos em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela, segundo o Departamento de Justiça dos EUA.

Na República Deminicana, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 92 milhões para funcionários do governo ou intermediários que geraram benefícios de US$ 163 milhões entre entre 2001 e 2014.

Fonte: G1