15/05/2017 08h56 - Atualizado em 15/05/2017 08h56

‘Chefe de Marun’, Eduardo Cunha recebeu propina de quase R$ 1 Mi em MS, diz PF

Fabiano Portilho
 

Ao ordenar a deflagração da Operação Bullish, nesta sexta-feira, 12, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal em Brasília, destacou que a origem da nova ofensiva que pega o grupo JBS está nas revelações do ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, delator do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) – preso desde outubro de 2016, por ordem do juiz Sérgio Moro.

Em seu despacho o Juiz Ricardo Augusto Soares Leites diz sobre o crime previsto no artigo 317 do Código Penal também entendo que há indicios de sua ocorrência. O depoimento de Fábio Cleto narra que houve recebimento de propina por Eduardo Cunha relativo Eldorado Brasil.

Uma das propinas relatadas por Cleto refere-se à captação de recursos feita em 2012 pela Eldorado Brasil, empresa do grupo J&F, que também controla a Friboi. O valor pleiteado inicialmente foi de R$ 1,8 bilhão ‘para obras na fábrica de Três Lagoas (MS)’, mas acabou reduzido para R$ 940 milhões. Neste caso, Cleto disse acreditar que Cunha tenha recebido valor superior a 1% como comissão. Ele afirmou que a parte do peemedebista foi de R$ 940 mil.

O delator afirmou que a negociação do aporte foi feita com o controlador da J&F, Joesley Batista, supostamente apresentado a ele pelo doleiro Lúcio Funaro num jantar na casa do operador financeiro. Funaro era um antigo aliado de Eduardo Cunha. Ele está preso em Brasília, desde julho de 2016.

A indústria de celulose Eldorado Brasil foi também alvo de mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lama Asfáltica - Máquinas de Lama, deflagrada na quinta-feira, 1 dia antes da Bullish. Segundo a PF, as equipes recolhem documentos, como notas fiscais e contratos, além de computadores que possam conter dados relacionados a fraudes em licitações, superfaturamentos em obras públicas e pagamentos de propinas que desviaram cerca de R$ 150 milhões. Nesta Operação foi preso o ex-Governador André Puccinelli (PMDB) aliado de primeira hora de Cunha.

Eduardo Cunha e seu fiel cão em MS

Se o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) não defendesse com 'unhas e dentes' o ex-presidente da câmara Eduardo Cunha talvez passaria despercebido entre os mais de 500 deputados da câmara. Mesmo com escândalos, contas na Suíça e preso, Marun se mantém fiel a Eduardo Cunha e a mesma coisa acontece com André Puccinelli por Mato Grosso do Sul, agora fica a pergunta, qual é o interesse ou quais são os interesses que o nobre presidente da Comissão da Reforma da Previdência defende tanto? explico.

Carlos Marun recebeu R$ 103 mil reais da empresa JBS em 2014, empresa que controla a Eldorado Brasil em Três Lagoas, do qual Cunha recebeu quase R$ 1 milhão de propina em 2012. O que chama a atenção dos investigadores da Lava Jato e da Lama Asfáltica se Eduardo Cunha continua a operar mesmo preso em Curitiba, uma das suspeitas recaem sob o deputado federal Carlos Marun, seu "pombo correio". Mesmo sendo do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha recebeu dinheiro para sua campanha da Usina Naviri S.A. Açucar e Alcool de Mato Grosso do Sul, isto mesmo de MS, numa rápida busca no TSE esta mesma empresa também financiou André Puccinelli, "chefe mor" de Carlos Marun. Cunha recebeu a quantia de R$ 500 mil e Puccinelli de R$ 600 mil.

"Pombo Correio"

Antes de ser instalada a Reforma da Previdência no final de 2016, Marun ficou famoso por usar dinheiro público para custear parte das despesas que teve na visita que fez ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha na prisão em dezembro do ano passado. O GLOBO encontrou na cota de atividade parlamentar de Marun a emissão de uma passagem aérea no trecho Curitiba-Porto Alegre e de uma diária em hotel na capital paranaense nas mesmas datas da visita.

Ele esteve com Cunha no Complexo Médico Penal de Pinhais, na Grande Curitiba (PR), no dia 30 de dezembro do ano passado. A passagem paga pela Câmara foi emitida no dia 29 de dezembro para o trecho Curitiba-Porto Alegre, no valor de R$ 327,58, pela companhia aérea Azul. A informação consta nos dados da cota do parlamentar do mês de dezembro.

A hospedagem, por sua vez, custou R$ 154,35. Marun ficou no hotel Rochelle, no centro de Curitiba. Neste caso, a nota fiscal foi emitida posteriormente por uma agência de viagens de Campo Grande (MS) e só consta na prestação de contas de janeiro deste ano. A nota informa que Marun fez o pagamento em dinheiro da hospedagem.

JBS, a segunda maior devedora da previdência do Brasil

Enquanto ele (Marun) e Temer propõe que o brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma do governo Michel Temer.

"O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]", afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).

A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas.

Na lista das empresas devedoras da Previdência, há gigantes como Bradesco, Caixa Econômica Federal, Marfrig, JBS (dona de marcas como Friboi e Swift) e Vale. Apenas essas empresas juntas devem R$ 3,9 bilhões, segundo valores atualizados em dezembro do ano passado. Acompanhe:

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